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O Livro dos Prazeres (Clarice Lispector)
"... olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado a vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palvra salvação para não nos envergonharmos de sermos inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfaçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a isso consideramos a vitória nossa de cada dia..."
Escrito por Mim às 20h53
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Frase do dia

" A recordação de um amor terminado,
mas que permanece fortemente na memória,
é tão absorvente quanto era o próprio amor".
(Jean Louis Vaudoyer)
Escrito por Mim às 20h49
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Escrito por Mim às 10h55
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tocando...

V'ambora
Entre por essa porta agora E diga que me adora Você tem meia hora Pra mudar a minha vida Vem, v'ambora Que o que você demora É o que o tempo leva
Ainda tem o seu perfume pela casa Ainda tem você na sala Porque meu coração dispara Quando tem o seu cheiro Dentro de um livro Dentro da noite veloz
Ainda tem o seu perfume pela casa Ainda tem você na sala Porque meu coração dispara Quando tem o seu cheiro Dentro de um livro Na cinza das horas
Adriana Calcanhotto
Escrito por Mim às 10h50
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Poema 55, quinta poesia vertical

Um amor mais além do amor Por cima do rito do vínculo Mais além do jogo sinistro Da solidão e a companhia Um amor que não necessite regresso Porém tampouco partida Um amor não submetido As chamas de ir e de voltar De estar despertos ou dormidos De chamar ou calar Um amor para estar juntos Ou para não está-lo Porém também para todas as posições Intermedias Um amor como abrir os olhos E talvez também como fechá-los
Roberto Juarroz
Escrito por Mim às 10h42
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