Ele pensa...

Ele pensa que a saudade Um dia vai me matar Ele pensa que sofro por ele E que a saudade dele é que faz eu chorar Ele pensa que a saudade Faz o meu peito doer Morro até de feitiço Mas não é com isso que eu vou morrer
Morro de coice de ovelha, picada de abelha Ou de um bicho qualquer Posso morrer de topada, pernada, Palmada ou de um pontapé Posso morrer na guerrilha, de choque de pilha Ou no peso da idade Morro de fome ou de sede De tombo de rede, mas não de saudade
Posso morrer de coceira, canseira, frieira Ou até calafrio Morro de tapa de luva, de pingo de chuva Ou até de arrepio Morro de ataque de riso, dor no dente siso Ou de chateação Morro até de vaidade Mas dessa saudade eu não vou morrer não
*Nivaldo Duarte e Márcio Lima*
Escrito por Mim às 09h55
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Vale a pena ler de novo , de novo e de novo....

Afinidade (Artur da Távola)
A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida. É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo para o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo. Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado. Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar.
Afinidade é jamais sentir por. Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo. Mas quem sente com, avalia sem se contaminar. Compreende sem ocupar o lugar do outro. Aceita para poder questionar. Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidade vividas.
Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.
Escrito por Mim às 10h43
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