presságios

Triste me ver deserta das cores da tua pele, das tuas variações de tom, do ressoar grave da tua voz. Triste ver que de mim te foste, parcimonioso e lento, imperceptivelmente como morrem insetos, numa queda leve que é quase um vôo, num despencar que é quase um pouso. Aqui tua casca, tua imagem, a memória dos gestos, aqui ainda um resto de festa que sobrou nos meus olhos e, no entanto, remansoso e brando, tu te foste como eu nunca imaginei que um dia irias. Pequeno e gasto, ainda que íntegro na dor contida, te esvaíste do que fomos e deixaste para trás apenas uma impressão tênue em meus sentidos que eu talvez perca, como também talvez se percam as lembranças do teu rosto, do cheiro dos teus pêlos, do gosto dos teus sumos. Triste notar que te perdi de mim.
Escrito por Mim às 19h51
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E você , pq . desvia o olhar?

Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.
- Rita Apoena -
Escrito por Mim às 19h34
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